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Desconecte-se

18/04/2011

Você já parou para pensar o quanto somos dependentes da tecnologia? Pense. Você dorme com o celular ligado? Não vive sem entrar no msn, e-mail, skype, redes sociais (orkut, facebook, badoo, twitter etc) e quando está sem internet fica desesperado? Quantos livros você leu este ano (não vale os obrigatórios de faculdade/escola e nem e-books)? Se não está navegando na internet, você está vendo televisão? Se você respondeu sim para a maioria destas questões, você é um dependente virtual.

Ainda não nos demos conta do quanto esse mundo virtual nos afasta cada vez mais uns dos outros. As pessoas ficam mais individualistas, mais egoístas, mais alheias ao significado da palavra sociedade. O que é ser social? Fazer parte de uma sociedade? Aí um total alienado diz “ah mas eu tenho muitos amigos no msn, no facebook, no orkut”. Certo. Quantos desses amigos você conhece pessoalmente? Com quantos você teve a oportunidade de conversar, trocar idéias, sair, viajar?  Com quantos desses amigos você praticou o ato de conviver em sociedade?

Infelizmente, com as maravilhas da informação em tempo real, a internet também destrói vidas e constrói falsos ídolos, distorce o significado de amizade e dá muita importância ao supérfluo, ao degradante, a tudo que na verdade não deveria ser praticado. Invasão de privacidade, senhas e informações pessoais roubadas, agressões cometidas por crianças e jovens contra seus semelhantes, contra animais, contra si mesmos. É fácil encontrar esse tipo de material, e na verdade nem precisamos procurar, eles estão ali, na primeira página de notícias e nos vídeos mais vistos.

Pensando nisso me lembrei de um livro que me fez refletir muito sobre nosso papel enquanto ser humano. Li High Tech High Touch, do autor John Naisbitt, há alguns anos, na época de faculdade, e me fez abrir os olhos para o que acontecia ao meu redor e como o que eu via virou um desastre social. É um livro que esclarece muito nossa dependência do imediato, da tecnologia, do nosso afastamento das relações pessoais.

O que é High Tech? É o progresso, a inovação, o imediato que preenche nosso dia-a-dia no trabalho, na faculdade, em casa, nos shopping centers, no trânsito. É nossa eterna busca por significado através do consumo e assim ter a ilusão de felicidade, de realização. High Touch é dar bom dia ao vizinho, é brincar com seu cachorro e seu filho no quintal, chorar ao ouvir aquela música que marcou sua vida, rir de algo que parece insignificante. São coisas que não são substituídas pelo click do mouse. É o equilíbrio entre o nosso high tech e high touch que Naisbitt traz nessa agradável leitura.

Como temos acompanhado, a cada ano a violência entre os jovens ganha mais destaque no noticiário. Mas não, a culpa de haver tantas crianças e adolescentes revoltados a ponto de estourar os miolos dos outros e seus próprios não é da internet, muito menos dos vídeo-games ultra realistas ou da última palavra em celular. Salvo quando já há um desvio de conduta, adquirida por problemas psiquiátricos , a culpa é do próprio ser humano. Dos colegas de bairro e de escola que apontam o dedo ao invés de estender as mãos. De desconhecidos que abusam, exploram e se aproveitam, e depois tiram fotos e fazem vídeos para compartilharem com milhares de imundos iguais a eles. Do pai e da mãe que abandonam seus filhos para a escola educar, como se fosse papel exclusivo dela. Bem se diz que um país não se desenvolve sem educação. Ok, mas a educação vem de casa também. Os valores familiares, humanos e sociais, vêm de casa. O desenvolvimento da criança começa em casa. Não na escola. Ainda mais com um ensino público tão esquecido em nosso país. Então, não adianta colocar a culpa no vídeo-game violento que seu filho tanto adora – mesmo porque já foi comprovado por psicólogos que esses jogos não influenciam no caráter do indivíduo, nem em suas ações (e nem o bullying). Mas isso já é outra discussão.

Isto não é uma manifestação contra a tecnologia, afinal se não fosse ela não estaria escrevendo esse texto num blog para qualquer pessoa do mundo ler. É apenas a reflexão de alguém que está cansada de ver tamanhas atrocidades serem encaradas como fatos corriqueiros.

Leia, desconecte-se e viva.

Postado por Ka Stardust – http://www.blog-rocket-queen.zip.net

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One Comment leave one →
  1. 19/04/2011 01:18

    eu confesso q ja levei o note p cama, mais estava tc com vc! kkkk Vc deu um ar intelectual p/ o blog… curti muito!

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