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O momento MOOC

16/06/2013

Moocs

Se existe um assunto que gera debates acalorados nos EUA, este é a educação. No ranking das discussões sem fim, talvez perca somente para o debate sobre o aumento (ou a diminuição) dos impostos. Não é à toa que os dois assuntos sempre estão presentes em campanhas presidenciais americanas e em mesas redondas dos programas televisivos noturnos.

Os MOOCs (Massive Open Online Courses) são um dos últimos alvos da controvérsia educacional. Por enquanto, o debate segue a lógica binária. De um lado, os que acreditam que a educação online, gratuita e em massa ajudará a democratizar o conhecimento. Do outro, os que defendem que esse tipo de ensino apenas contribuirá para a decadência e a padronização da educação.

Criados há 3 anos, os MOOCs se diferenciam dos tradicionais cursos online na medida em que são gratuitos, abertos a qualquer um e voltados para massas de pessoas (na lógica de broadcasting). Uma das iniciativas mais conhecidas na área é a edX, plataforma criada pela Universidade de Harvard e pelo MIT, onde são oferecidos diversos cursos online – de Filosofia a Biotecnologia.

Geralmente, os créditos desses cursos não são aceitos pelas universidades, mas a tendência é que, com o tempo, isso mude.

A propósito, no MIT, corre no boca a boca que, na hora em que o mesmo conseguir avaliar de forma precisa um aluno virtual, os cursos online terão o mesmo peso de um curso presencial. Porém, a partir do momento em que o MIT emitir diplomas para tais cursos, estes deixarão de ser totalmente gratuitos.

A ideia de educação à distância não é nova. Desde o começo do século 19, existem os cursos por correspondência. Educação via rádio, televisão ou circuitos internos de TV também se faz presente há um bom tempo no mercado. E igualmente antigo é o discurso de que os cursos online e à distância acabarão com os cursos presenciais.

Os MOOCs estão muito distantes de superar ou emular a experiência presencial do campus – encontrar amigos, ter a experiência de laboratório e o aleatório como companheiro e as conversas face a face em tempo real.

Acreditar atualmente que os cursos massivos online acabarão com a vida do campus seria o mesmo que, no passado, achar que o videocassete ou o download de filmes poriam fim à experiência de ir ao cinema.

edx

Os que defendem os MOOCs creem que os cursos online “democratizam a educação” e resolvem de imediato o problema de países que não têm acesso a uma educação superior de qualidade.

Ademais, ao monitorarem as atividades online dos alunos, os MOOCs coletariam uma quantidade de “dados passivos” nunca antes analisada pela área educacional, informações estas que ajudariam a aprimorar todo o setor de educação.

Já os críticos acreditam que os MOOCs são somente o velho travestido de novo. Ao fornecer o mesmo curso para uma grande quantidade de pessoas, estariam só emulando no digital o velho método educacional de “assistir, ouvir, obedecer e memorizar”, enquanto que a dinâmica de “explorar, publicar e debater” seria bem mais inovadora e faria mais sentido.

Outra crítica é que os cursos massivos online ajudariam as universidades líderes a dominar ainda mais o mercado, aumentando as barreiras a novas instituições. O chamado “efeito rede” (quanto mais pessoas usam um serviço, maior o seu valor) faria com que mais interessados se concentrassem nessas universidades e se guiassem exclusivamente por suas metodologias. Enfim, aconteceria uma massificação.

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Se os MOOCs irão democratizar ou massificar a educação, a resposta ainda está no campo da especulação.

O que, por ora, existe de concreto é o fato de os MOOCs terem contribuído para que as equipes das áreas digitais das universidades passassem a dar mais importância à experiência do usuário (UX). A questão no online não é mais simplesmente “o que”, mas “como” ensinar. Outra mudança real é que, com os MOOCs, as universidades estão deixando de ser meras transmissoras para se tornarem provedoras de conteúdo.

Ter noção da transformação que está em curso no modelo de negócios das universidades americanas também ajuda a entender melhor esses efeitos dos MOOCs. Para o bolso das principais instituições de ensino, os cursos massivos online são seriam assim tão disruptivos.

Cada vez mais, as universidades privadas americanas ganham receita com o registro de patentes e cada vez menos com mensalidades de alunos. O licenciamento de patentes tende a se tornar uma das principais fontes de receitas, perdendo somente para as pesquisas patrocinadas e as doações. Por isso, oferecer cursos massivos online e gratuitos não canibalizaria tanto o modelo de receita das principais universidades americanas.

Outra questão é estar atento aos novos números sobre o uso dos MOOCs. Em recente debate no MIT, Anant Agarwal, presidente da plataforma edX, revelou que os usuários mais ativos dos cursos massivos online são justamente alunos do MIT que já estão matriculados em cursos presenciais. Os estudantes utilizam a edX como uma forma de revisar ou reforçar o que foi visto nas aulas presenciais. Ou seja, talvez o papel dos MOOCs não esteja em emular ou “superar” o curso presencial, mas sim em complementá-lo.

Enfim, o que os MOOCs mostram de imediato para nós é que, no campo educacional, essa troca entre online e offline é bem mais complexa (e desafiadora) do que parece.

O diálogo está apenas começando.

http://www.tiagodoria.com.br

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